sábado, 15 de maio de 2010

Pesquisas de intenção de voto versus analistas

Já virou rotina, basta sair um resultado diverso da vontade do partido, que seus militantes prontamente desconstroem sua validade, acusando os institutos de fraudes ou incompetência.

Foi o suficiente as pesquisas Ibope (carioca, contratada pela Globo) e Datafolha (paulista, contratada pela Folha de São Paulo) divergirem pela primeira vez do resultado da Vox Populi, dando mais vantagem ao José Serra, que todos os comentaristas da esquerda se dispuseram a desmerecê-las, apontando falhas metodológicas e eventuais interesses corporativos dos institutos e seus contratantes.

Agora, que o VoxPopuli (mineira, contratada pela Band e pela Carta Capital) confirmou a tendência de sua última pesquisa, apontando uma virada da Dilma sobre o Serra, já começaram a pipocar os mesmíssimos argumentos contra o instituto e um de seus contratantes (já que não pode duvidar da Bandeirantes, que é francamente serrista).

Meu forte não é pesquisa de opinião. Mas sei que estatística, embora tenha critérios exatos e científicos, não pode ter valor de conclusões científicas. Por isso, está sempre acompanhada de uma dose de erro. O fato é que alguém está "errando mais". Pode ter alguém de má-fé aí? Pode. Também podem ser simplesmente divergências metodológicas ocasionais, não viciadas.

Levantamentos estatísticos não devem ser lidos como fonte absolutamente segura. Aliás, levantamentos estatísticos não podem ser a principal fonte para se tirar conclusões de nada. Nos casos em que elas são as únicas referências, deve ser ter um cuidado redobrado. A melhor metáfora que se pode fazer é a da fotografia. Por mais criteriosas que sejam, elas mostram apenas aquele momento daquele ângulo específico, em que elementos podem estar em distorção, ampliados ou reduzidos. Toda análise de resultados de pesquisas de eleição devem considerar essa possibilidade de erro (e não só aquele desvio de "dois pontos para mais ou para menos").

Porém, em principio, isso não deveria afetar a reputação dos institutos e de seus contratantes. Qualquer desmerecimento de pesquisa que insinue fraude de seus fomentadores deve ser entendido como acusações sérias e, como tal, devem ser acompanhados de um embasamento concreto e provas.

Acusações levianas, sem os requisitos acima, são antidemocráticas, anticientíficas, tendenciosas, mal-intencionadas e, assim, cheiram alguma coisa parecida com golpe.

3 comentários:

Anônimo disse...

O choro é livre. A boca do jacaré se fechou e Serra amarga a segunda colocação.
Só tem uma solução para subir nas pesquisas, trazer de volta para vice o careca de Brasilia um tal de Arruda. O Serra não fez um trocadilho com Arruda: vote num careca e leve dois.
Fernando

LAR disse...

Dilma ganha no primeiro turno!
A realidade é justa.
A mentira cabe em qualquer bico.

Tiago Aguiar disse...

A questão das pesquisas de opinião gerou até mesmo representação ao MPF, por parte do Movimento dos sem Mídia, do blogueiro Eduardo Guimarães.

Com relação ao Datafolha, eles já foram desmascarados - a pesquisa tem distorções na amostragem, quando se aumentou e muito a base de pesquisa em São Paulo, principal reduto do Serra.

http://democraciapolitica.blogspot.com/2010/04/descoberta-magica-da-distorcao-do.html

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4389782-EI6578,00-Diretor+do+Datafolha+nega+fraude+em+amostragem+de+pesquisa.html

Saudações!