sábado, 6 de dezembro de 2008

Gosto do povo de São Paulo. Mas tenho que comentar; acabei de chegar de lá e, nas minhas estadias, me distraí, fazendo duas perguntas aos cidadãos locais:
- Você votou em quem?
- Pra que time você torce?
Todas (TODAS mesmo) respostas foram: “Kassab” e “Corinthians”. Sobre o Kassab, nem vou comentar, não acrescentaria nada. Mas o Corinthians… esse time teve muito mais publicidade só com a sua queda à série B do que o Atlético, o Grêmio, o Palmeiras, o Botafogo juntos, em seu rebaixamento e ascensão. Comparada com o estardalhaço que se fez com o Corinthians ano passado, parece que a provável queda do Vasco nem é tão importante assim.
São Paulo tem maiorias estranhas: a maior torcida dá mais retorno quando o time cai e os eleitores dão mais retorno quando as ruas caem.

Comentário meu publicado em Conversa Afiada

O Crime Compensa

Opinião de um completo leigo: a Lei e a Justiça pegam leve, muito leve, com bandidos ricos. Não tenho a menor idéia de quanto o DD faturou com esses crimes por que foi condenado. Como, só na operação Br'oi, ele vai levar R$ 1bilhão; suponhamos, então, que ele tenha faturado ilícita, direta e indiretamente, em todos esses anos, algo em torno da metade disso: R$ 500milhões e vamos considerar que ele tenha cessado seus ganhos criminosos. Descontem-se os R$ 14milhões de multa (parece até piada). Divide-se esse valor por 10 anos e divide-se novamente por 365 dias. Não estou satisfeito e vou dividir esses dias por 24horas. A conta passo-a-passo:
R$ 500.000.000,00 - R$ 14.000.000,00 = R$ 486.000.000,00
R$ 486.000.000,00 : 10 anos = R$ 48.600.000,00
R$ 48.600.000,00 ao ano : 365 dias = R$ 133.150,68
R$ 133.150 ao dia : 24horas = R$ 5.547,94
Ou seja, considerando os tais R$ 500.000.000,00 que eu chutei (eu acho que é muito mais) e que ele vai ficar todo esse tempo preso, sendo 24horas por dia, cada dia preso vai corresponder a mais de dez anos de renda de quase maioria dos brasileiros!!

- Ou seria como eu ficar uma única hora
hospedado no "Daslu Apart Hotel" e receber mais que o dobro do meu atual salário.

- Ficar uma semana preso e ganhar toda contribuição esperada à previdência até a minha aposentadoria, já contando com as progressões da carreira.

- Ficar um mês preso e ter, só para mim, a metade do orçamento anual de uma cidade de 6.000 habitantes.

Vale à pena ou não vale?


Reedição de comentário meu publicado no Conversa Afiada

sábado, 29 de novembro de 2008

Trocando as bolas

Esses dias me contaram que chá preto tem mais cafeína que café.

Ora, café é mais preto que chá preto.

Que troca de nomes é essa?

Chá preto é quem devia chamar café e café, chamar chá preto.

É como chamar o PFL de "Democratas" e Hugo Chávez de "ditador".

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Aviso

Desde o primeiro dia, estou muito comportado nesta birosca. Fiquei com um receio estúpido, porque eu comecei a pretender este espaço como de discussões inteligentes e, assim, fiquei recalcando muitos pensamentos politicamente incorretos, o que é mais natural das minhas não-convencionais opiniões.

Por isso, aguardem mais palavrões, futilidades, ironias, idéias erradas e tom agressivo.

Tudo com muito respeito, claro.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Egocentrismos

(...)
É tão engraçado como (...) polarizam tudo entre Rio e São Paulo! Falam desses lugares como se o Brasil pudesse ser resumido aos contrastes entre ambos. (...) É quase como pensam a Europa Ocidental e a América do Norte, quando se referem a eles mesmos como “o mundo”.

Comentário meu publicado em Conversa Afiada

Esse é um assunto que já venho querendo abordar há um tempo e acho que esse comentário resumiu bem o que eu penso.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Conscientização x Mobilização

Acabei de ler, na capa de uma nova revista, sobre uma adolescente infectada pelo HIV, dizendo que ela era esclarecida sobre a SIDA antes da contaminação.

Esse caso retrata uma condição que eu vejo e parece que ninguém sacou. Autoridades e moralistas em geral utilizam o termo "conscientização" com o sentido de educação. O que eu acho é que a maioria esmagadora das pessoas que, de algum modo, cometem o que a sociedade considera imprudente, ilegal, vandalismos ou politicamente incorreto, elas o fazem com um mínimo de esclarecimento sobre as conseqüências de seus atos (ou sobre o que pensará a sociedade). A sociedade subestima a capacidade dessas pessoas em entender e compreender o que envolve seus atos.

Por exemplo, essa menina acima: posso apostar que, das pessoas que compreendem o que são doenças sexualmente transmissíveis e sabem como previni-las, muito mais da metade age sem se importar com os riscos. Elas julgam improvável uma contaminação mais séria. E a prevenção, quando há, deve-se muito mais ao risco de gravidez.

Outro caso: esses dias ouvi no rádio sobre a ação da polícia para apreender produtos piratas em shoppings populares. Na própria matéria, os policiais e jornalistas concordavam que os compradores sabiam da origem ilícita dos produtos; que essa atividade gerava "prejuízos" ao governo e que isso refletia no comprometimento da eficiência do serviço público. Os compradores também sabem da violação dos direitos autorais e que os autores não estariam sendo recompensados por suas obras. Essa mesma matéria explicava que, para esses compradores, a compra de produtos pirateados é mais justa porque ajuda na renda dos vendedores, promovendo uma "redistribuição de renda". Ou seja, para esses compradores, as indústrias, os diretores, os artistas e os programadores já têm muito dinheiro e não precisam da receita gerada por essas vendas; então esse lucro é repassado para o vendedor, que é mais pobre e vai fazer um proveito menos fútil daquele dinheiro (ou vai gastar menos dinheiro com futilidades). E o dinheiro dos impostos, em vez de dar a "político corrupto" ou a programas sociais eventualmente ineficientes, são usados direto na finalidade que o comprador escolheu - a tal "redistribuição de renda". (Um comentário: não me oponho a essa lógica. É politicamente incorreta, mas faz todo o sentido.) E a conclusão da matéria foi: "as pessoas não têm consciência dos prejuízos que a pirataria traz."

No caso de motoristas bêbados, todos que tiveram competência para passar na prova de legislação de trânsito têm que saber das alterações fisiológicas provocadas pelo álcool e a conseqüente perda de inibição, atenção e relfexos. E provavelmente já se cansaram de ter notícia de acidentes trágicos por causa de bebida. Mas a auto-confiança sempre fala mais alto e até os passageiros não costumam se importar com a alteração do motorista. A pouca mudança de comportamento sobre isso só aconteceu com essa Lei Seca. E eu nem precisava ir tão longe no caso de motoristas. Eu posso apostar, de novo, que você, leitor, dirigiu falando ao celular pelo menos uma vez nas últimas dez vezes que pegou o carro.

Poderia dar vários outros exemplos: drogas, pixação, lixo, consumo de recursos naturais, consumismo, geladeira aberta, peido, sedentarismo...

O fato é que, em muitos casos, mesmo após compreender o contexto de seu comportamento, as pessoas não correspondem às orientações de uma atitude adequada. Elas não têm motivação para seguir aquela orientação ou, ainda, sentem-se motivadas a não cumpri-la. Os analistas, as autoridades e os moralistas em geral precisam parar de acusar seus alvos de "inconscientes", como se fossem ignorantes, e passar a chamá-los de desmobilizados para aquele assunto. Porque o que eu vejo é que, consciência, a pessoa tem. Ela pode se sentir motivada por aquela causa ou não. Infelizmente (ou felizmente, em alguns casos), só depende dela.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Crise?

Ainda vou morder minha língua (ou dedos) por dizer isto:

Nos jornais só sai crise, crise, crise... mas ao mesmo tempo o desemprego nas capitais em setembro foi registrado como estável (e estava caindo). Até aqui, a maioria das lojas estão cheias ou abarrotadas de gente, em qualquer dia da semana. Isso não li no jornal. Isso eu vejo todo dia no meu caminho a pé.

Acho que esqueceram de avisar pro povo que o mundo está em crise.