quarta-feira, 8 de abril de 2009

Palpite do dia de hoje

Gosto de fazer previsões de assuntos nos quais eu tenho certa segurança. Como sou médium, não vidente, é claro que estou sujeito a erros, mas também costumo acertar. Apesar desse gosto, nunca fiz isso aqui.

Hoje, no entanto, estou com um assunto que mexeu com minha vontade de ver o que vai acontecer nos próximos dias.

Esta postagem inaugura, portanto, uma seção só sobre essas previsões, esses chutes meio calculados. Nada mais justo num espaço que denominei "Palpite do Dia".

Dessa forma, aqui vai o primeiro Palpite do Dia de todos os tempos:

Hoje, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz depôs na "CPI das Escutas Telefônicas".

Não pude assistir a todo o depoimento, mas já li os resumões da internet. O que cheguei a assistir foi a algumas revelações bombásticas. Falando de ministro não nominalmente citado e de contaminação do Poder Legislativo, ele disse que o plano de privatizações da Companhia Vale do Rio Doce e da Petrobrás, as obras de transposição do Rio São Francisco e a venda do subsolo brasileiro já estavam arquitetadas em 1992, em solo americano, além de desmentir reportagens veiculadas pela revista veja, entre detalhes de outros processos criminais que não estou lembrando agora, porque a notícia ainda está muito fresca e ainda estou na fase de processamento das informacões. Mesmo sem ter certeza se ele foi muito além disso, já posso considerar que fez denúncias (ou insinuações) graves.

Não há como não ter repercussões. Haverá. O meu palpite do dia de hoje trata da parcialidade dos meio de comunicação.

Palpite 1 - A Veja, Isto É e Folha, a Globo, o Noblat, o Mainardi e outros blogueiros de direita vão desmerecer o depoimento, dar relevância a cada duvidosa inconsistência do depoimento e, é claro, dar muita importância ao fato de que o delegado se absteve de responder a cada pergunta do presidente da CPI.

Palpite 2 (complementar ao de cima) - A Carta Capital, a TV Record, a Teletime, o site Vermelho, o PHA, o Azenha e a turma da esquerda vão enaltecer a clareza e convicção do delegado e desmerecer a tendência de questionamento de certos deputados, com campanhas financiadas pelo "banqueiro bandido", DD.

Batata.

Em alguns dias, eu volto aqui, para ver se acertei.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Ódio da buzina

Impressionante como as pessoas usam o carro como um prolongamento do corpo. Algumas pessoas dizem que quem homens compram carros de luxo quando querem compensar o tamanho do pirú. O que eu acho uma grande bobagem. Já andei lendo que quem realmente se importa com tamanho do membro são os gays. Algumas mulheres até gostam, mas é uma minoria.

Algumas pessoas libertam seu alter-ego ao volante. Não só os homens. Dirigem agressivamente, como se estivessem se exibindo para os outros motoristas, fecham a passagem dos outros carros, como se a ultrapassagem fosse um tipo de subjugação, buzinam prolongadamente, como se quisessem mandar o outro motorista à puta que o pariu, tratam motoqueiros como se todos eles fossem igualmente imprudentes, a escória do trânsito

Geralmente esse tipo de direção agressiva não adianta mais do que uns poucos minutos, mesmo em viagens longas. A pessoa corre, se arrisca, a risca a vida dos outros, para ganhar alguns instantes na chegada. Coisa de gente atrasada.

Impedir a ultrapassagem é o mais comum. É raro alguém ter a gentileza de dar a passagem numa situação corriqueira de engarrafamento. É como se a outra pessoa tivesse cortado caminho por fora e quisesse aproveitar-se da ingenuidade do motorista mais trouxa. Quer dizer, isso pode até acontecer mesmo, um mais pilantra se enfiar na frente de uns trinta carros parados, que ele ultrapassou pelo acostamento. Mas esse é o caso de direção agressiva.

E a buzina? Já vi, várias vezes, vários carros juntos buzinando por causa de trânsito parado em razão de uma colisão ou um atropelamento. É o típico caso que ilustra a expressão "muito barulho por nada". A pessoa dá aquela buzinada, para soltar os cachorros e contamina todos os cidadãos , num raio de uns 150 metros, com sua raiva. E não tá nem aí se tem hospital, escola, creche perto. A buzina chega ser um instrumento para demonstrar o tamanho do seu egocentrismo, no meio de um sistema do qual ele apenas faz parte, mas se sente o proprietário. Já ouvi uma piada sobre buzina. É assim: qual é o cúmulo do lapso temporal? É o período entre o semáforo abrir e a primeira buzina soar. Mais ou menos isso. Na hora teve graça.

Ultimamente, a minha antipatia pela buzina tem crescido. Não que a buzina seja desnecessária. Ela tem sua razão de existir e eu a vejo como um instrumento de comunicação no trânsito. Porém, no trânsito, não se comunica de forma civilizada. Aliás, o trânsito, é como se fosse outra civilização, dentro da cidade, com suas próprias regras de contato, odores, socialização, acasalamento... a buzina devia ser usada para dar alertas ligeiros e apenas com um toque. Aliás, ela já devia vir de fábrica programada para não se prolongar além desse toque. Absolutamente não há necessidade de uma buzina prolongada. Do jeito que se usa a buzina, ela só serve para demonstrar e gerar irritação.

Se eu pudesse, eu reformularia as leis de trânsito. Tolerância zero.

Quem der uma buzinada prolongada pega uma multa leve. Se for reincidente, leva uma multa mais pesada e tem a buzina apreendida. Se for pego pela terceira vez, leva uma multa pesada e tem o carro inteiro apreendido.

O chão seria de uso exclusivo do pedestre. A maneira natural de se locomover é com os pés e esse devia ser o modo preferencial. O asfalto seria como um espaço implicitamente outorgado pelo pedestre aos veículos motorizados. Assim, seria como no Japão: o pedestre pisou na rua, o motorista é obrigado a parar. Pisando o asfalto, o pedestre avocaria sua propriedade sobre o chão, obrigando o automóvel a ceder o direito de uso. As faixas serviriam apenas para organizar a passagem dos pedestres, mas não teriam obrigatoriedade de uso (como, aliás, já não têm, pelo menos na prática).

Teriam preferência no trânsito, nesta ordem:
1- Veículo oficial do Presidente;
2- veículos oficiais de chefes do poder executivo dos Estados e Distrito Federal;
3- veículos militares, apenas em caso de guerras declaradas;
4- ambulâncias com a sirene ligada;
5- bombeiros com a sirene ligada;
6- polícia com a sirene ligada
7- animais (porque, em geral, eles não sabem atravessar a rua)
8- pedestres (porque, em geral, eles deviam saber atravessar a rua);
9- bicicletas (meio de transporte que não emite poluentes, com seu uso);
10- ônibus (melhor relação combustível/passageiro);
11- caminhões (veículo de trabalho);
12- motocicletas (segunda melhor relação combustível/passageiro);
13- carros.

Eu também implantaria o rodízio em todas as cidades. Já tenho até um esquema pronto. Dividir-se-iam as placas em cinco faixas iguais, que podem ser quaisquer umas. Eu adotei as terminadas em 0 e 1; 2 e 3; 4 e 5; 6 e 7; e 8 e 9. Mas pode ser de qualquer jeito.

Cada faixa de carros estaria proibida de andar pela rua em um dia úitl da semana.

O tempo do rodízio valeria sempre de 6h30min às 9h30min e de 18horas às 21horas.

E o espaço do rodízio seria predeterminado, por exemplo: em toda a área central e hospitalar da cidade, mais as principais vias.

Estariam imunes ao rodízio: os veículos oficiais dos chefes dos poder executivo (leia-se presidente, governador e prefeito), ambulância, viaturas, carros de bombeiros e ônibus coletivos. Até aí, é óbvio. No entanto, também estariam imunes as motocicletas e os carros com pelo menos três passageiros, além do motorista. Isso incentivaria as pessoas a serem mais gentis e darem carona à pessoa que mora ao seu lado e vai para o mesmo lugar que elas. Incentivaria também o uso do transporte público.

Falando em incentivo ao transporte público, além dessas regras, tenho outra idéia. Acho que deveria haver duas datas no ano, para lembrar o problema do trânsito. Na primeira data, o transporte público funcionaria de graça, por 24horas. Poderia ser subsidiado ou qualquer coisa. Mas que fosse de graça, para o máximo possível de pessoas usarem-no, liberando as ruas dos carros. Assim, nesse dia as pessoas chegariam mais rápido ao seu destino cotidiano sem passar raiva, sem demorar. Pessoas diferentes, de origens diversas, rendas, opiniões, opção partidária, orientação afetiva, roupas, tudo diferente, sentadas (ou em pé) lado a lado, como iguais. E não dentro de uma cápsula móvel, com toda a privacidade e falta de contato humano, onde não têm o menor pudor para xingar, tirar meleca, peidar fedendo, exercitar seu autismo... e o mais importante, liberando o trânsito, principalmente dos seus egocentrismos.

E o segundo dia, seria o contrário. Seria uma espécie de folga para os maquinistas, motoristas e trocadores. Não haveria transporte público durante um tempo. 6horas, 12horas, talvez e com estacionamento rotativo liberado. Para lembrar a importância de se usá-lo. Para tirar todos os carros da garagem, deixando o trânsito insuportável a ponto de reclamar da falta dos ônibus, tão xingados nos dias normais. Esse segundo dia é mais injusto com quem não dispõe de veículo próprio. Por isso, não poderia ser o dia inteiro.

Seria chamado "o dia da buzina". Se bem que ficaria melhor: "'ódio da buzina".

sábado, 4 de abril de 2009

Inchaço da máquina pública

Pois é. Não adianta apenas aumentar a quantidade de servidores públicos. Tem que melhorar as condições de trabalho e, principalmente, oferecer um salário JUSTO. Não um salário para ficar rico, mas uma remuneração que condiga com a formação profissional, com a complexidade (e volume) do trabalho exercido. Um salário, no mínimo, equiparável ao do setor privado.

Nos serviços públicos estaduais e municipais, quem não é formado em direito, nem em medicina, tem a sensação de que toda mudança é ocasionada em prejuízo de si, faltando critério, isonomia e transparência para se manter condições razoáveis de trabalho.

Daí, aquela antiga impressão (verdadeira) de que o serviço público no Brasil é precário. Vide a desmotivação de servidores de setores públicos que deveriam ser considerados importantes. Secretarias de saúde dos estados, para começar. Ou segurança pública, meio ambiente, educação... Exemplos não faltam.

Para medir o tamanho e eficiência da máquina pública no Brasil, deveria também ser feito um cálculo quantitativo e qualitativo dos gastos com as necessidades básicas do povo, contrapondo-as a investimentos menos relevantes. Posso apostar que gasta-se mais dinheiro só com empreiteiras do que com meio ambiente. Mais dinheiro para pagamento de benefícios de juízes do que com o sistema carcerário. Mais intervenções legislativas em benefício das mineradoras do que em melhoramento de programas de saúde pública. Mais políticas de urbanização em áreas "nobres" do que em favelas.

Comentário publicado no Vi o Mundo, no dia 4 de abril de 2009.

terça-feira, 31 de março de 2009

Mundo podre

Esta é a última chance que me dou de escrever alguma coisa hoje. Antes deste texto, já havia tentado outros três. É a minha falta de inspiração que está se tornando crônica. Nos dois sentidos.

Enfim, hoje quero fazer um protesto. Um protesto sério, de uma coisa, no mínimo, desonesta que pode estar acontecendo no meu trabalho. Como, por enquanto as notícias que eu tive estão muito superficiais, vou tomar cuidado com o que digo, evitando condenações precipitadas, para não cometer injustiças.

Pois bem. Sou funcionário público no estado de Minas Gerais, governado por um cidadão chamado Aécio Neves. E a sua gestão também vem sendo aprovada, por sinal. As possíveis "desonestidades" de que tomei conhecimento não têm relação direta com o caráter desse governador, mas seus atos bem que facilitaram o acontecido.

Por ora, vou tratar isso como um boato (embora eu confie plenamente na minha fonte). Vamos a ele.

Tive conhecimento de uma lista de 38 nomes de pessoas que, no dia 11 de março, tiveram direito a receber a chamada "gratificação estratégica". Essa gratificação teria sido um reconhecimento por "relevantes serviços prestados". Eu ainda não soube todos os nomes, tampouco conheço todos dos que tomei conhecimento.

Já quando fui informado, todos os 38 nomes foram relacionados a pessoas que trabalham na área-meio e prestam serviço em uma mesma subdivisão do sistema onde eu sou empregado, e diferente da minha. Ou seja, embora eu reconheça como um trabalho indispensável a qualquer missão que uma instituição pode se auto-atribuir, não é uma atividade que gere resultados concretos ou que projete o nome e as realizações. Além disso, o recurso de onde saiu a verba para esse pagamento, quase indubitavelmente é o mesmo de todas as quatro subdivisões que compõem o sistema.

Na minha subdivisão, eu sei que, com poucas exceções, todos se mostram muito interessados em realizar tudo na mais lúcida lisura e em melhorar a qualidade do serviço prestado. Apesar da desmotivante remuneração. E não temos recebido um reconhecimento suficiente por isso.

Portanto, caracteriza-se a parcialidade desse pagamento, a falta de isonomia. Pagaram-se apenas determinados funcionários, de determinada subdivisão que prestam determinados serviços, que em nada são melhores que os outros. Ao contrário da justificativa que chegou a mim: "relevantes serviços prestados".

Se eu quiser ser ainda mais crítico, posso observar que, literalmente, não se fala em qualidade do serviço. Mas em "relevância" do serviço. Poder-se-ia dizer, então, que aquele serviço é relevante e os outros não? Ou que aquele serviço é mais relevante que os demais? Ou será que cabe outra interpretação, menos maldosa? Para quê, então, existem as outras divisões? Tenho que observar que essa subdivisão privilegiada está, digamos, mais próxima do poder. Mas isso está muito longe de fazê-la mais importante. E isso torna essa distribuição de recursos bastante suspeita.

Deve ainda ser falado que todas as gratificações de que tive notícia até agora primavam pela transparência: eram conhecidas de todos e foram concedidas mediante o atingimento de resultados previamente combinados. De repente, surge uma gratificação que até então, eu desconhecia, dada a um seleto grupo de pessoas que eu nem sei se chegaram a combinar um prestação de "serviço relevante". O que me soa uma gratificação burra, já que, se existe aquele cargo, presume-se que sua existência já tenha, antes mesmo de sua ocupação, um objetivo relevante.

Outra espantosa incoerência: desde há uns seis meses, aproximadamente, os dirigentes têm sistematicamente cortado benefícios dos funcionários, com a justificativa de se combater a crise. O dirigente máximo chegou a escrever uma carta muito bonita aos funcionários, afirmando entender a situação desagradável, e convocando para que todos compreendessem que o momento era de união e que todos deviam fazer sacrifícios em nome de objetivos comuns. Foi tão convincente, que minha vontade era de oferecer uma parte do meu salário para ajudar. O que está parecendo, no entanto, é uma puta falta de vergonha na cara. Só no meu caso, foi-me subtraído, sem que eu fosse devidamente convidado a negociação ou prestação de esclarecimento, o equivalente a 9,6% (numa conta rápida) de benefícios que eu dispunha. E, de quebra, deram um jeito sorrateiro e aparentemente justo de aumentar minha carga mensal de trabalho em mais de 3horas (contadas no excel).

Um desses 38 nomes, para completar, me chamou a atenção. Renata, conhecida minha. Meio fluminense, meio mineira. Uma mulher de uns 27 anos, bonita sem ser linda. Chama muito mais a atenção, pelo seu corpo escultural. Trabalhou por pouco tempo em um setor de onde seus colegas várias vezes confidenciavam-me uma insatisfação quanto ao seu rendimento e boa-vontade. Um dia, há menos de um ano, ela foi mudou de situação e foi convidada a trabalhar como "assessora" (nome sofisticado para "secretária") de um alto-escalão. Eis que em 12 meses ou menos, sua "assessoria" rendeu tanto e com tanta boa vontade que, mesmo sendo ela novata, fez um "serviço" tão relevante, que lhe valeu uma "gratificação estratégica".

E merece ser dito que se trata de recurso público. O uso desse recurso para pagar gratificações me parece legal e moral. Só é questionável a distribuição desse recurso para umas poucas pessoas descriteriosamente, em vez de realmente promover uma motivação para que o trabalho esteja cada vez melhor.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sem assunto

Tem uma aba aqui em cima, a quarta da esquerda para a direita, com a opção "Gerar receita".

Deve ser para aceitar propagandas no blog.

Será que alguém normal realmente ganha dinheiro com isso? Gente que já é famosa, vá lá. Mas ilustres desconhecidos, como eu...

Tem gente que arrota e um monte aplaude. Ou critica, porque acha que pelo outro lado, seria mais falta de educação, sei lá!

Vir aqui, escrever qualquer bobagem à noite, passar-se por engraçado ou culto e ainda ganhar dinheiro seria uma boa.

Só sei que isso aqui sempre foi meio paradão. Eu imagino a cara de pena dos administradores do blogger, se eu apertasse o tal "Gerar receita":

- Coitado.

- Vai ver ele estava procurando alguma novidade culinária.

Bom, tô curioso, vou apertar o tal botão.

É, era aquilo mesmo. Nenhuma novidade.

Como a postagem de hoje. Sem graça.

Como este blog.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Questão de oportunidade

No local onde trabalho, estávamos precisando de um estagiário em comunicação social. A remuneração não era para enricar ninguém, mas era bastante satisfatória, acima do salário mínimo e 20horas semanais.

Pelas condições, não era qualquer estágio. Lá é um lugar onde se entra em contato com a nossa área de atuação o tempo inteiro e é onde todos procuram informações concretas. Além disso, relatórios são produzidos quase todos os dias, às vezes mais de um por dia. Teria sido excelente, pelo menos para mim, que, durante a faculdade cheguei a aceitar jornadas de quase 40horas semanais de graça (sem nem esperar certificado), dando-me por muito satisfeito apenas com a experiência adquirida.

Pois estava quase tudo fechado para contratar a menina. Não sei se ela chegou por indicação ou por publicidade do pedido. Mas, curiosamente, era linda, estilo modelo. Pele parecendo um veludo rosa, sobre pouco além de umas costelas; cabelos quase loiros, lisos e esvoaçantes; olhos claros; dentes que deixariam um dono de um Steinway com inveja. Ao passar perto de mim, parecia deixar o mundo em câmera lenta.

Não concordo que se contrate uma moça pela beleza, ignorando-se a competência da melhor candidata. Isso pode ser bom para os marmanjos de plantão encostados nos ombros dos que trabalham, entretanto, para esses que trabalham, pode ser uma dor de cabeça. Mas...(!) não posso negar que me entusiasmou a perspectiva de o nosso dia ficar mais bonito, agradável, cheiroso e motivante para comparecer ao serviço.

Pois bem, ela já tinha sido entrevistada e já se preparava para começar. Na mesma época caiu a bomba: com a nova lei de estágios, a remuneração dos estagiários cairia (e caiu) algo em torno de 25%. Todos as nossas estagiárias (mais uma vez, curiosamente, só temos meninas como estagiárias - as mulheres estão dominando o mundo), também bonitas, diga-se, obviamente chiaram.

"É um absurdo!", disseram todas. Absurdo, absurdo, não é. É lamentável, é sacanagem, é injusto, mas absurdo mesmo não é. Elas receberiam vale-transporte (coisa que nem eu tenho) e custeio de alimentação. Como eu disse, na minha época, trabalhava-se muito mais no estágio, por muito menos. E éramos conformados. Absurdo seria receber sem fazer nada.

Porém, entre reclamações e promessas de que todas sairiam, ainda estão todas lá, planejando a renovação do contrato.

Por causa da época, as demandas comunicativas aumentaram substancialmente. Daí, tínhamos urgência pelo início das atividades da nova estagiária. O tempo passou, demos um jeito de suprir as necessidades e a nova estagiária não começou. Eis que um belo dia foi-me apresentada a estagiária de comunicação.

Diferente da primeira, ela não se encaixava em nenhum estereótipo de modelo: era preta, cheinha, do cabelo alisado sem escova japonesa (ou algo do tipo), dentes um pouco tortos e até um pouco estrábica.

A primeira estagiária havia recusado a oferta, que foi repassada até chegar a esta outra candidata.

A descrição dessa nova estagiária pode ter chocado o leitor, por ter soado preconceituosa. Não. Essa estagiária, como toda jovem adultinha também é linda. Todavia, sua apresentação era visivelmente menos bem-cuidada. Imagino eu, não por menos vaidade. Toda mulher, mulher, é vaidosa. Mas esta, definitivamente, não usou os mesmos recursos para deixar a aparência como ela merecia.

Minha primeira reação foi, na frustração das minhas fantasias, tentar entender por que a primeira largou. Não demorou muito, e foi fácil matar essa: foi a remuneração reduzida. E qual a diferença entre as duas que levou a segunda a aceitar?

Como parti do princípio que toda mulher, mulher, é vaidosa, posso concluir que nenhuma mulher, mulher, é menos atraente que outra porque quer. Se ela não utilizou os mesmos recursos da primeira, para ter uma aparência estonteante, como eu havia dito, só dá pra supor que a nossa ex-futura e fracassada estagiária (a primeira) tem mais dinheiro que a vitoriosa (a atual), no mínimo.

Nem precisava de todo esse método dedutivo para dizer que a primeira era rica e a atual é pobre. Só pela descrição das duas, já dava para supor, começando pela cor da pele.

Foi quando eu percebi. Como a nova remuneração não condizia com o teórico padrão de vida da primeira estagiária, ela o recusou. Depois, fiquei sabendo que a demora para que um estagiário inciasse os trabalhos se deveu à resistência dos estudantes em se oferecer para estágios com remuneração um pouco mais baixa. É aí que vem a verdadeira sacanagem. Estágio, hoje, está perdendo o sentido de aprendizado e prática profissional, e está tendo uma procura muito mais pela remuneração. Estágio está sendo encarado como fonte de renda, local de trabalho. E não deveria ser!

A nova estagiária "aceitou" trabalhar conosco porque, de duas, uma: ou queria muito entrar num lugar que se vê tudo na prática o tempo todo (que é o que eu acredito) ou a remuneração agora condizia com o padrão de vida dela.

Se pensarmos que as estagiárias podem ter chegado por indicação de alguém lá dentro (e eu estou considerando levando muito a sério essa hipótese), é aí que vemos a verdadeira injustiça. Vamos constatar que a primeira e a última oportunidade foram dadas, respectivamente, a uma menina de boas condições de vida e a uma outra vinda de uma realidade já desfavorecida. Uma menina que procurava preferencialmente uma maneira de pagar os cartões de crédito sem depender do pai e outra que procurava preferencialmente um lugar para aprender. Uma menina branca e uma menina preta.

Lamentável, sacanagem, injustiça.

Um absurdo.

Temas para futuros palpites

Eu devo ter um problema de memória. Eu passo o dia inventando assuntos para comentar aqui e, quando finalmente paro na frente do computador, esqueço tudo. E tenho que ficar aqui, olhando pro teto, como se estivesse caçando assunto.

Para resolver esse problema, criei o espaço "Temas para futuros palpites". São assuntos sobre os quais tenho idéias, mas ainda não comecei a escrever, nem em rascunho. Vou anotando o tema central em um caderninho ou mandando e-mail para mim mesmo. Agora, quando eu chegar aqui, vou ter sempre um assunto fresquinho me esperando.